O Conto de Dank

A Torre, 17 de outubro de 1446

Caro Amigo,

Você me pede para escrever sobre os muitos inimigos enfrentados por meu Senhor e seus aliados. Irei mencionar apenas os mais importantes. Aqueles que realmente deixaram marcas na história.

Falarei primeiro sobre um Cainita conhecido apenas como Dank. Muito pouco eu sei sobre ele, embora muito ele tenha influenciado os caminhos daqueles que eu segui. Você o encontrou pessoalmente e portanto talvez possa acrescentar novas histórias às que aqui contarei.

Milão

Meu senhor uma vez me contou que ele foi encontrado pela primeira vez em Milão, em 1200. Um Cainita louro de cabelos longos desgrenhados e olhar insano e que fazia parte de um grupo de vampiros diabolistas liderados por um Lasombra chamado Fillipo Grantini, grandchild de Gaius, e que havia criado um círculo de ocultistas, diableristas e adoradores do demônio entre os vampiros de Milão e que pretendia matar o príncipe de Milão, Flavius.

Dank foi o único sobrevivente do grupo, quando Klaus teve de optar entre matá-lo ou salvar uma garota que seria sacrificada pelos diabolistas, e que depois seria abraçada por Cavendish, a jovem Clara. Assim ele conseguiu escapar, embora todos os outros membros do grupo tivessem sido destruídos.

Constantinopla

Alguns anos depois, Dank foi visto brevemente em Constantinopla, durante a queda da cidade, quando se envolveu com um grupo de fanáticos que tentava destruir outros cainitas, uma seita chamada Os Filhos de Calomena. Uma vez meu senhor me contou que achava que ele deveria estar procurando alguma informação naquela cidade. Se ele encontrou o que buscava eu não sei.

Budapeste e o Graal

Depois da queda de Constantinopla, por muito tempo não se ouviu falar nele, até que, em Budapeste, no ano de 1245, os caminhos de Dank, cruzaram-se novamente com os de Valentyn, que o conhecera em Constantinopla, e com seus novos aliados Issan Habin, Normando, Jean Loren e Ryan Selican, quando todos procuravam descobrir qual a verdade por trás das notícias do aparecimento do Cálice Sagrado em Budapeste e de uma Santa.

Valentyn e seus aliados conseguiram evitar que ele bebesse o sangue da Santa. E levaram seu corpo para um esconderijo distante. Apesar de não ter cumprido seu objetivo, Dank conseguiu escapar novamente.

O Livro de Demetrius de Milano

Um século depois, em 1348, enquanto a peste negra grassava pela Europa, Valentyn, Cavendish e Issan iriam novamente cruzar caminho com Dank e descobrir algo mais sobre o passado de seu maior arquiinimigo.

Foi em um mosteiro franciscano situado na borda de um penhasco na cidade de Ragusa, na costa da Dalmátia, que Valentyn e Cavendish descobriram um livro escrito por um monge do século VI, Demetrius de Milano, que descrevia a viagem dele até um Monastério aonde encontrou a Biblioteca dos Esquecidos.

No livro podia-se observar como o autor começara a enlouquecer, ao encontrar e descobrir os segredos que a biblioteca do Monastério guardava. O livro não deixava dúvidas, o monge Demetrius de Milano era o cainita que foi depois conhecido como Dank. Através do livro eles conseguiram descobrir o caminho para o Monastério dos Esquecidos, onde se encontravam vários livros antigos, entre eles páginas de uma versão do Livro de Nod, contando a história da maldição de Caim, e papiros ainda mais antigos.

Origens

Pelo que deduzi do livro escrito por Demetrius de Milano, ele foi um monge beneditino que um dia iniciou uma peregrinação para Jerusalém. No caminho, nas montanhas da antiga Ligúria, encontrou um Monastério misterioso, pertencente a Ordem dos Obertus. Nesse monastério ele encontrou uma biblioteca com tomos e papiros antigos.

Foi nessa época que ele começou a enlouquecer. Ao voltar a Milão escreveu o livro sobre o Monastério dos Esquecidos, em que mencionava antigas lendas e profrecias Cainitas, misturado a história sobre anjos caídos e demônios das trevas. Boa parte do livro foi escrito na antiga linguagem da mesopotâmia, que eu acredito que nem Dank entendia e não passa de rabiscos sem sentido, profecias e visões difíceis de entender.

Pouca coisa se sabe sobre quando Dank foi trazido à escuridão, provavelmente um pouco antes do ano 1000, em algum momento após escrever o livro sobre o Monastérios dos Esquecidos. O monge insano Demetrius de Milano deve ter atraído a atenção de algum cainita que resolveu trazê-lo para o mundo dos amaldiçoados.

A partir daí sua união com diableristas e seu envolvimento com Setitas são as únicas coisas que pude reunir sobre Dank. Sei que ele esteve em Alexandria, procurando a Biblioteca de Alexandria e ganhando a ira dos Setitas que decretaram uma caçada de sangue contra ele. Sei também que lá ele encontrou com um dos Antigos, do já esquecido clã dos Capadócios. Sabemos que ele esteve em Contantinopla mais de uma vez. E até em Roma.

Ele parece também ter dedicado sua pós-vida a conseguir informações sobre alguns antigos Cainitas – aqueles chamados de Antedeluvianos ou Os Antigos. Acredito que esse tenha sido o motivo de sua ida a Constantinopla, para onde muitos dos livros da Biblioteca de Alexandria haviam sido levados pelos monges Obertus e que poderiam guardar segredos antigos sobre a história da Raça das Trevas.

No fim, sua trilha parece tê-lo levado a finalmente encontrar o esconderijo de um desses Antigos vampiros.

Foi quando seu caminho cruzou pela última vez com o de meu Senhor e dos seus aliados.

O Fim

Foi em Florença, quando este enganou o cavaleiro Mitzrael, passando-se por Valentyn, e conseguiu pegar o corpo da Santa – uma antiga Cainita do clã Salubri – que havia sido levado até a cidade e escondido perto do rio e diablerizá-la numa Igreja Dominicana construída sobre o local onde um templo antigo havia existido séculos antes, durante a época de glória de Roma.

Após diablerizar a Santa, Dank poderia ter fugido, mas, sob a nave da Igreja, em frente ao altar, esperou que seus perseguidores Valentyn, Mitzrael, Issan e Loren o encontrassem. A Igreja pegou fogo durante o combate e Dank finalmente pereceu nas chamas.

Que estranhos segredos ele levou consigo não consigo imaginar. Talvez só ele pudesse decifrar o que escreveu. Contar os segredos que descobriu e guardava. Ou talvez nem ele mesmo soubesse o que buscava. Talvez você saiba mais do que pretende e mais do que contei aqui.

Encarecidamente,
A. C.

O Conto de Dank

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